Qual é o valor de uma vida?

 

O post de hoje tem o conteúdo super sério! O blog trata de vida e cotidiano, certo?! E infelizmente a vida não é justa, muito menos um eterno mar de rosas. Frequentemente passamos ou tomamos conhecimento de situações desagradáveis.

Como no último domingo, quando eu soube que algumas amigas perderam de forma violenta, uma pessoa que era bastante querida para elas:

 

 

Para ver os vídeos  das reportagens clique aquiaquiaqui e aqui.

 

Triste e revoltante. Acontece o tempo todo, em todos os lugares, a cada dia mais. É um absurdo, mas  já estamos nos acostumando a conviver com o medo, a se privar de fazer e ter coisas comuns e corriqueiras – por exemplo: ir jantar com amigos em um restaurante em São Paulo é uma das coisas mais perigosas atualmente, pois entre uma garfada e outra, você pode ter que engolir um arrastão/assalto – em breve, os coletes a prova de balas serão indispensáveis para sair de casa.

É quando uma tragédia acontece um pouco mais próximo que conseguimos perceber a nossa vulnerabilidade. Minha família já experimentou algo semelhante – uma tia também foi assassinada durante um assalto! Eu tinha uns 6 anos de idade, e é impressionante o quanto esse acontecimento mexeu com toda a família e comigo, que era apenas uma criança! Até o ano de 2010 eu não conseguia nem ao menos visitar a cidade (Vitória – ES) onde ocorreu o crime, era uma sensação estranha –  estar lá também não foi uma das melhores sensações, uma mistura nada agradável de sentimentos. E os criminosos foram condenados?! Pagaram pelo o que fizeram?! Não por esse crime, e sei lá se por outros.

Com o passar dos anos, as coisas vão acontecendo, as prioridades vão mudando, a dor vira saudade, e os motivos que ocasionaram o óbito de alguém tão querido por nós, acabam no fundinho da parte de baixo da prateleira das lembranças.

Esse “deixar pra lá e superar” em partes, é errado. Uma bola de neve vai se formando: o bandido não é punido e repete o crime, além de servir de (péssimo) exemplo para outros – inclusive crianças e adolescentes. Assim, os cidadãos de bem ficam trancafiados, prisioneiros do medo – e o tal direito de ir e vir? – enquanto os criminosos vivem muito bem, livres,  fazendo cada vez mais vítimas e destruindo mais famílias.

Uma amiga – que conhecia a vítima – postou um texto em seu Facebook, no qual falou muito bem sobre isso.  É extenso, mas vale a leitura:

Revolta. Indignação. Choque. Questionamentos. Medo.
Não foi “apenas” uma advogada de 38 anos que foi morta. Foi morta a mãe, esposa, filha e irmã de alguém e ainda a amiga de muitas pessoas. UMA morte afetou e deixará sequelas eternas na vida destas pessoas. Não foi uma pessoa que se foi. Foi o pedaço da vida de MUITAS pessoas que se foi. Existe um garoto que não ganhará mais o afago da mãe, existe um marido que não terá mais o companheirismo da esposa, existe uma mãe que não terá mais o carinho da filha, existe um irmão que não terá mais as conversas com a irmã, e existe os amigos que não terão mais as risadas e a companhia da amiga. TODOS nós temos o direito a vida e a liberdade. A Renata e a Carol tinham todo o direito, assim como eu, os meus familiares e amigos, de conversar no carro por 5min, 10min ou o tempo que fosse, pois estamos em um país LIVRE, no qual o direito a ir e vir está resguardado pela Constituição Federal, lei maior do país. O mundo está tão louco e vivemos em uma situação de TOTAL insegurança em que se tornou normal o que era para ser anormal. O normal passou a ser: você despedir-se do seu amigo no carro em 1 segundo para não ser assaltado por algum marginal; estacionar o carro no vallet e pagar R$ 20 mesmo que exista uma vaga disponível na ruela próxima, afinal quem garante que o trajeto até essa ruela será seguro???; não deixe as crianças brincarem na rua, andarem de bicicleta, jogarem “rouba bandeira” na rua!, pois é perigoso!!!; não more em casa, pouca importa se você gosta de ter um quintal ou de um maior espaço privativo a você e aos seus familiares, o que importa é que você PRECISA morar em um apartamento ou casa em condomínio FECHADO para poder se trancar atrás das grades destas edificações e se sentir seguro, mas meu camarada, espere, não respire aliviado, não seja ingênuo, afinal você precisará sair de casa e aí mora o perigo! Porque lá fora, na rua, na praça, no banco, nos parques, locais em que os cidadãos tem o direito de usufruir livremente, há muitos marginais, vagabundos e delinquentes. Você se pergunta: “não era para eles estarem atrás das grades e eu estar livre e poder caminhar com segurança nas ruas, praças, bancos e parques?” Sim, ERA para ser assim, mas houve uma adaptação inversa da sociedade. NÓS nos adaptamos a conviver com essa insegurança e para tanto fomos obrigados a tolher cada vez mais o nosso direito a liberdade. O phoda é que muitas pessoas não enxergam o quanto isso está errado! É utópico querer andar de vidro aberto? É utópico querer que os seus filhos brinquem na rua? É utópico querer morar em casa? É utópico querer conversar com os amigos no carro? A idiota sou eu que sente o desejo por tudo isso??? Eu devo me adaptar ao mundo e abrir mão de tudo isso para conseguir voltar viva pra casa! Que vida e liberdade são essas??? Algo precisa ser feito e urgentemente! Vamos começar pelo início. Construa escolas para não construir presídios. Máxima na qual acredito 100%. No entanto, o momento que vivemos exige medidas mais drásticas. Prenda esses criminosos e os mantenha presos! Encarcere os marginais. Adapte a maioridade penal a realidade do país. Um garoto de 17 anos não poder responder por ter matado alguém? Alguém me explica, POR FAVOR, porque esse mesmo garoto tem direito a voto e a escolher os governantes que tem o poder inclusive de alterar a legislação do país e consequentemente torná-lo maior de idade, e não pode ser preso por mais de 3 anos? A nossa legislação enxerga assim: cidadão a partir de 16 anos tem capacidade para votar, tem consciência para escolher um candidato, todavia essa consciência INEXISTE para o direito penal. Que visão míope é essa??? Tem consciência para VOTO, que é uma das maiores responsabilidades do cidadão,e não tem para responder pelos seus próprios atos??? Um rapaz de 17 anos já alcançou a maturidade e consciência para poder responder por seus atos como aqueles maiores de 18 anos. Faço uma ressalva. Não falem que esse rapaz cometeu um crime. Imputar um “crime” a ele é incorreto. Acho que o ECA quis evitar um possível trauma psicológico aos menores de 18 anos que assassinam pessoas do bem, quis evitar que fossem taxados como criminosos. Deste modo, por questão de terminologia, ao invés de utilizar-se a palavra “crime” é utilizado a denominação “ato infracional”. Você, maior de 18 anos, se MATAR alguém cometerá um CRIME. Contudo, você, menor de 18 anos, se MATAR alguém cometerá um ATO INFRACIONAL. O ECA trata o menor de 18 anos, independente da brutalidade, atrocidade e crueldade do ato cometido, como infratores e não como criminosos. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente este rapaz cometeu um ato infracional grave equivalente ao homicídio. Esse ato infracional será respondido por meio da aplicação de uma medida sócio-educativa de internação com a duração máxima de 3 anos. A discussão sobre a diminuição da maioridade penal é um assunto que clama por urgência, mas não é esse o principal ponto. Isso não resolverá a questão. Como a Carol, prima da Renata, muito bem apontou na entrevista concedida a rede Bandeirantes, é necessário que QUALQUER um, independente da idade, que cometa um ato que atente contra a vida, contra o patrimônio, a liberdade e a integridade física de alguém, seja PUNIDO. Na Inglaterra, no ano de 1993, John Venable e Robert Thompson, ambos com 10 anos foram condenados por terem sequestrado e matado um garoto de 2 anos de idade. Os dois ficaram presos por 8 anos, até 2001, quando foram soltos em liberdade condicional. O caso: “Os dois meninos arrastaram James para uma linha férrea fora da cidade, onde eles o espancaram com tijolos e barras de metal e jogaram tinta em seus olhos. Mais tarde, o bebê foi colocado em cima da linha férrea, onde um trem o cortou pelo meio.” Esta barbárie, para a nossa legislação “ato infracional”, cometida por crianças de 10 anos de idade recebeu uma pena maior do que este garoto de 17 anos receberá. O tal do John Venable foi preso novamente em 2010 condenado por pornografia infantil. Ontem peguei a cena final do filme “Tropa de Elite 2”. Nesta cena o Capitão Nascimento falava: “O Sistema é foda! Ainda vai morrer muito inocente.” Pergunto-me: ATÉ QUANDO??? E QUANTOS AINDA MORRERÃO??? Triste é saber que o caso da Renata faz parte de outras centenas de casos de violência que ocorrem todos os dias. Tenho medo de um dia isso for tão “normal” e parar de chocar e revoltar. Que Deus abençoe e conforte o coração da família e dos amigos da Renata.
Ana Carolina Cavallaro

Não é preciso dizer mais nada, né?!

Aliás, é necessário dizer que os responsáveis pela segurança do país devem agir urgentemente. Será que ainda não fizeram nada porque eles próprios e os que eles amam, têm carro blindado?! E seguranças em tempo integral?! E porque não mudar logo essa constituição que favorece e incentiva os menores CRIMINOSOS!? Não há justificativa para o governo querer fazer bonito para o restante do universo, mascarando o caos e os problemas – vergonhosamente o Brasil não tem estrutura, nem física e muito menos psicológica para sediar Copa, Olimpíadas e qualquer outro evento de maiores proporções. O circo está sendo armado  para as “crianças” infratoras “causarem”no picadeiro – será uma espécie de  A Disney World é aqui: turistas/gringos endinheirados dando sopa por aí (fatalmente serão as tais vítimas fáceis) enquanto eles “causam”, fazendo e acontecendo, “brincando” de assaltar e matar gente de bem. Mas o que isso tem demais?! No fim das contas eles não serão punidos – esses seres, provavelmente consideram a passagem pela delegacia, levar bronca e ouvir sermão do delegado como radical e cheio de adrenalina, um looping da Montanha-Russa, a estadia nas fundações que abrigam infratores como um intercâmbio, além de auto-afirmativo tipo: eu sou f*, vejam do que eu sou capaz.

 

Acorda Brasil! Chega de impunidade e alienação!

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2 Comentários

  1. Adorei o blog!
    E temos que abrir a boca e reclamar mesmo…Muito tragico essa historia ://
    beijos

    fimdetarde.com

    Responder
    • Obrigada e volte sempre!

      Com certeza, as vezes deixamos pra lá pq não é conosco diretamente, mas se nada for feito, pode ser que logo ali na frente experimentemos esse gostinho amargo.

      Responder

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